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A autobiografia de Stefan Zweig

28 de Novembro de 2014

“Fui contemporâneo das duas maiores guerras. Conheci a liberdade individual em seu grau e forma mais elevados, e, depois, em seu nível mais baixo em muitos séculos. Fui festejado e desprezado, livre e subjugado, rico e pobre. Minha vida foi invadida por todos os pálidos cavalos do Apocalipse, revolução e fome, inflação e terror, epidemias e emigração. Sob os meus olhos, vi as grandes ideologias de massa crescendo e se disseminando. ... Paradoxalmente, na mesma época em que o nosso mundo retrocedia um milênio no aspecto moral, vi a mesma humanidade elevar-se a feitos nunca antes imaginados no campo da técnica e do intelecto.” (Trecho de Autobiografia: o mundo de ontem)

Stefan Zweig nasceu em Viena, em 28 de novembro de 1881, e hoje completaria 133 anos. Foi escritor, romancista, poeta, dramaturgo, jornalista. E famoso. Muito famoso. Era um autêntico best-seller mundial, desses de fazer John Green morrer de inveja. E, embora tenha se exilado no Brasil fugido da Segunda Guerra, e onde viveu até sua morte em 1942, o autor austríaco ficou um bom (nada bom) período no ostracismo por aqui.

A boa notícia é que a série Stefan Zweig na Zahar, lançada em 2013 sob coordenação do jornalista e um dos maiores especialistas em Zweig no mundo, Alberto Dines, acaba de ganhar seu quarto título Autobiografia: o mundo de ontem.  


“Quase podemos ouvi-lo, tão perto ficou. (...) Agora, com suas próprias palavras, a prosa cativante e a mansa entonação, aqui está ele. Sem mediações”, escreve Dines no prefácio. E completa: “essas memórias podem esclarecer alguns mistérios que ainda o cercam mais de sete décadas depois de morto ou torná-los ainda mais densos, talvez até impenetráveis.”

Zweig terminou de escrever essas memórias pouco antes de tomar a dose letal de morfina no pequeno bangalô em que vivia em Petrópolis. E esse fim iminente fica evidente no texto, sobretudo no prólogo, escrito após a conclusão do livro, quando diz: “só aquilo que eu quero conservar tem direito de ser conservado para outros. Portanto, recordações, falem e escolham no meu lugar, e forneçam ao menos um reflexo da minha vida antes que ela submerja nas trevas!”.

Como austríaco, judeu, escritor, humanista e pacifista, Stefan Zweig esteve sempre onde os incontáveis abalos que atingiram seu tempo foram sentidos de maneira mais violenta. Perdeu a Viena de sua juventude para a Primeira Guerra, a Áustria de sua maturidade para Hitler, a Europa de sempre para a Segunda Guerra. Exilado no Brasil, definitivamente arrancado de tudo o que fora e formara seu mundo, ele fez um intenso exercício de reconstrução para escrever suas recordações sem ajuda de nada além de sua própria memória.

“Tão diferente é meu hoje de qualquer dos meus ontens ... que às vezes me parece que vivi não uma única existência, mas várias, inteiramente diferentes entre si. Pois muitas vezes, quando digo, desatento, ‘minha vida’, sem querer me questiono: ‘Qual vida?'”

Biógrafo de Zweig, Alberto Dines fala com exclusividade sobre a trajetória do autor austríaco. Assista! 

Dines fará uma palestra sobre a autobiografia dia 1/12, às 19h, na Livraria da Travessa, Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Na ocasião também será lançado o livro A rede de amigos de Stefan Zweig: sua última agenda, 1940-42. Não perca!  Mais sobre o eventohttp://bit.ly/lançamento_Travessa

Conheça outros títulos da coleção Stefan Zweig na ZaharMaria Antonieta, Três novelas femininas, O mundo insone.

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