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Exílio e assassinato de um revolucionário

03 de Setembro de 2014

 Em Tróstski, Bertrand M. Patenaude apresenta a trágica e fascinante biografia de Leon Trótski, tendo como ponto de partida seu exílio no México, entre 1937 e 1940, quando é assassinado.


Trótski à sua escrivaninha em seu escritório, inverno de 1939-40


 Os últimos anos da vida de Trótski são intercalados com flashbacks que recuperam eventos decisivos de sua heróica trajetória, como líder bolchevique, rival e depois inimigo mortal de Stálin. Em paralelo aos planos stalinistas para matar Trótski, Patenaude lança luz sobre as tumultuadas relações do líder revolucionário com o casal de pintores Diego Rivera e Frida Kahlo - que incluiram um caso amoroso com Frida.

 

Trótski e Natália, sua mulher, num piquenique no inverno de 1939-40

 Em 1933, o jovem escritor belga Georges Simenon entrevistou Trótski. O blog Socialista Morena traduziu e publicou a entrevista com fotos inéditas e comentários do revolucionário. Leia um trecho abaixo:

“O senhor acha que a questão racial irá predominar na evolução que virá da turbulência atual? Ou será a questão social? Ou a econômica? Ou a militar?”

Trótski responde:

“Não, eu não acho que a raça será um fator decisivo na evolução da próxima era. Raça é um assunto estritamente antropológico – heterogêneo, impuro, misturado (mixtum compositum) –, um assunto a partir do qual o desenvolvimento histórico criou produtos semi-acabados que são as nações… Classes e agrupamentos sociais e as correntes políticas que nascerão desta base decidirão o destino da nova era. Não nego, obviamente, o significado e as qualidades distintivas e características das raças; mas, no processo evolutivo, elas estão em segundo plano, atrás das técnicas do trabalho e do pensamento. Raça é um elemento estático e passivo, e a historia é dinâmica. Como um elemento imóvel em si mesmo pode determinar movimento e desenvolvimento? Todos os traços distintivos entre as raças se desvanecem diante do motor de combustão interna, para não mencionar a metralhadora.

Quando Hitler se preparou para estabelecer um regime de Estado adequado à pura raça germano-nórdica ele não fez nada mais que plagiar a raça latina do Sul. Em seu tempo, durante a luta pelo poder, Mussolini utilizou –claro, virando de ponta-cabeça– a doutrina social de um alemão, ou melhor, um judeu alemão, Marx, a quem, um ou dois anos antes, chamou de “o professor imortal de todos nós’. Se hoje, no século 20, os nazistas propõem virar as costas para a história, para a dinâmica social, para a civilização, para retornar à ‘raça’, por que não ir mais atrás? Antropologia –não é verdade? –é só uma parte da zoologia. Quem sabe talvez no reino dos anthropopithecus os racistas irão achar a maior e mais incontestável inspiração para sua atividade criativa?”

Leia a entrevista na íntegra: http://bit.ly/Entrevista_LeonTrotski

O escritor Georges Simenon à época da entrevista

Leon Trótski em seu escritório em Prinkipo, Turquia, ao redor de 1930. Foto: David King Collection

 Vale lembrar que em 2012 completou 75 anos da chegada de Trótski ao México e 72 de sua morteO jornal GGN publicou uma entrevista com o seu neto, Esteban VolkoQuando perguntado sobre o que ficou como compromisso para além da obra de seu avô, ele responde:

"Eu creio que o principal é o aspecto ético, moral, onde o agir deve estar coordenado com o pensar. O pensamento e a ação devem ser uma coisa só. A verdade deve estar acima de tudo. O exemplo é sua vida. Foi um guia, para mim e minha família. As minhas filhas, por exemplo, que não são marxistas nem revolucionárias, têm muito inculcado esse princípio ético de absoluto respeito pela verdade e pela justiça."


 Para saber mais sobre a vida do revolucionário, assista um documentário feito na Turquia sobre a passagem de Trótski por lá, narrado pela atriz Vanessa Redgrave:

 

 Saiba mais sobre o livro Tróstski, de Bertrand M. Patenaude em nosso site: http://www.zahar.com.br/livro/trotski

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