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Entrevista: Zygmunt Bauman

10 de Junho de 2011
O senhor sempre fala dos assuntos mais em voga e o novo livro é a prova disso: iPpods, Twitter, Facebook... Como se mantém tão conectado com os assuntos do momento? 
A internet é obviamente uma ajuda...E, desde que se transformou na maior fonte de informações para a maioria de nós, se tornou também o maior objeto de meu estudo; os meandros da cultura contemporânea são, afinal de contas, meu tópico, e a velocidade do mundo atual me chama constantemente a atenção. A nossa é uma "vida corrida", vivemos sob a "tirania do momento", e por isso temos pouco tempo para refletir sobre para onde estamos nos movendo, o que deixamos para trás, quais foram os ganhos e quais as perdas. 

Quando o senhor escrevia para esta revista italiana, os leitores respondiam? 
Sim, eu recebi algumas cartas, e achei difícil responder a todas elas da forma que mereciam ser respondidas – em extensão e profundidade. Algumas cartas tratavam de assuntos de interesse geral e muitas dessas discordavam de meus diagnósticos. Estas cartas eu tentei responder, falar “em público” do assunto. Outras cartas apresentavam problemas mais pessoais – e como eu discordo desse hábito indigno de ostentar experiências e sentimentos íntimos na TV e em jornais - eu não iria colocar essas questões em exposição pública... 

O senhor mantém contato com algum pensador brasileiro? 
Muitos anos atrás Janina (N.R.: Janina Bauman, escritora, tradutora e pesquisadora, esposa de Bauman, falecida em 2009) e eu fomos convidados para um congresso anual da Associação Brasileira de Sociologia, que ocorria próximo ao Rio de Janeiro. Nesta ocasião, nós nos encontramos com o professor Bernardo Sorj e com Rubem Cesar Fernandes (depois criador e pioneiro da maravilhosa iniciativa do Viva Rio e do Viva Favela), nossos anfitriões – e nos tornamos amigos. Eu fiquei impressionado com o trabalho que estavam – e continuam – fazendo. Infelizmente, por problemas de agenda, nossos contatos têm sido ocasionais, muito menos frequentes do que gostaríamos. Isso se aplica ao meu contato com o resto das ciências sociais do Brasil; a perda é minha porque os cientistas sociais no Brasil estão fazendo nos dias de hoje um trabalho requintado e fascinante, tendo sido abençoados com talvez o mais excitante workshop de experimentação social em todo o país... Gostaria imensamente de acompanhar esses avanços mais de perto.
Categorias: Entrevistas