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Entrevista: Tom Stempel

06 de Maio de 2011
Você acredita que a lista de filmes analisados ao longo desse livro deve ser vista por qualquer cinéfilo? Estes também são clássicos que precisam ser vistos?
Não. Eu não foquei nos clássicos, com duas exceções (Lawrence da Arábia e Janela indiscreta. Eu queria lidar principalmente com filmes mais recentes, desde que percebi que seria de maior ajuda para os roteiristas escreverem no mercado de hoje. Assim como um artigo alguns anos atrás na American magazine Film Comment revelou você não poderia vender ou fazer Casablanca na Hollywood de hoje. 

Você acredita que aprender com os erros e acertos dos outros roteiristas é a melhor forma de se formar como profissional da narrativa cinematográfica?
A melhor e acredito que única maneira de aprender a como escrever é, assim como disse Ernest Hemingway, “Coloque sua bunda na cadeira e escreva”. Você só vai aprender a como escrever, escrevendo. O que você pode aprender como os meus livros é como outros escritores fizeram isso. Eu acredito que aprender com roteiros que não são perfeitos é muito útil, assim como, como um escritor, você frequentemente terá que descobrir porque o seu roteiro não está funcionando e como você pode melhorar isso. Por isso tenho duas seções sobre roteiros que não são perfeitos.

A maioria dos livros de roteiro apresenta regras que devem ser seguidas para que o roteirista tenha um bom resultado final. Você não acredita nesse método?
Eu não acredito em longas listas, a não ser que eu tenha uma lista no fim do livro sobre perguntas que escritores podem se fazer enquanto estão escrevendo. Muitos livros sobre roteiros têm muita teoria e listas e isso produz frequentemente roteiros muito mecânicos e sem vida. Como disse no livro, a escrita de um roteiro é um processo orgânico. Muitos outros livros fazem isso dentro de um processo mecânico.

Na sua opinião, qual a grande obra-prima da história do cinema, o filme que precisa ser analisado e destacado pelo roteiro excepcional e por quê?
Há muitos grandes filmes com grandes roteiros. Uma razão de eu ter começado com Lawrence da Arábia é que eu sinto o roteiro como tudo aquilo que um roteiro deve fazer, de acordo com aquilo que é possível ser feito. O que eu tentei fazer no livro foi encorajar leitores a pensar por eles mesmos enquanto veem filmes, novos ou clássicos.
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