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Entrevista: Suzana Herculano-Houzel

20 de Agosto de 2009
Tanto a série quanto esse livro poderiam ser intermináveis, já que nossa curiosidade parece insaciável?
Certamente! E a pesquisa em neurociência contribui muito para isso. Quando comecei a escrever divulgação científica, ficava preocupada pensando se um dia ficaria sem assunto. Mas hoje acho isso impossível: a quantidade de questões que nos cercam no cotidiano é imensa, e novas respostas sempre trazem novas perguntas. O resultado é que a pilha de "assuntos por escrever" sempre ganha de mim...

Aliás, por que estamos sempre buscando uma razão para tudo? Há uma explicação neurológica para isso?
Acho que é porque nosso cérebro trabalha encontrando associações, não só entre informações aparentemente desconexas como também entre ações e suas consequências. Como resultado, temos uma dificuldade incrível de aceitar o acaso: tudo precisa ter resposta, já que descobrir associações (e ficar contente com isso!) é uma das especialidades do cérebro. Por que outra razão, senão fazer peças (de todos os tipos!) se encaixarem, a gente gostaria tanto de montar quebra-cabeças?

Como foi a ampliação desta edição? As novas questões nasceram do programa ou de pesquisas suas?
Algumas das novas questões são derivadas de descobertas recentes da neurociência, sobre como tomamos decisões em liquidações (o que gerou também um quadro noNeuroLÓGICA) ou por que achamos os bebês lindos. Outras são uma combinação de princípios básicos de funcionamento do cérebro com vivências minhas, como por que nos damos ao trabalho de viajar (quando as fotos nos livros de turismo são sempre mais bonitas), por que achamos graça em piadas, ou por que sofremos por antecipação.
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