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Entrevista: Steven Johnson

25 de Agosto de 2009
Como e quando o senhor tomou conhecimento da história de Joseph Priestley?
É uma história engraçada, na verdade. Eu estava pesquisando para outro livro – o que estou escrevendo no momento – sobre inovação e ecossistema, e tropecei em toda a história de como Priestley “descobriu” que as plantas produzem oxigênio. Alguma coisa sobre isso me chamou a atenção e imediatamente comecei a pensar que ia iniciar esse livro sobre inovação com a anedota de Priestley. Mas fui pesquisar mais sobre a vida de Priestley e descobri toda uma desconhecida conexão política com a revolução americana que era inteiramente nova para mim. Quanto mais eu lia, mais fascinado ficava – e, então, finalmente, decidi escrever esse livro, A invenção do ar, primeiro e, depois, me debruçar no livro sobre inovação. No fim, acho que a troca foi a melhor coisa.

Como foi a pesquisa para o livro? E quanto tempo durou?
Eu escrevi esse livro muito rapidamente – da ideia até o primeiro esboço decorreram cerca de nove meses. A pesquisa ganhou a ajuda do grande número de textos originais sobre o período que estão agora disponíveis graças ao Google Books. Priestley era incrivelmente prolixo, mas a maior parte do que escreveu está totalmente fora de circulação. Muitos desses textos agora estão disponíveis paradownload, em PDFs, o que é uma incrível vantagem para alguém que escreve sobre história. 

Mais uma vez, como em O mapa fantasma, há uma conexão entre inovações do passado e revoluções do presente. O senhor gosta de pensar que grandes revoluções podem surgir por causa da interferência de um simples fato ou pessoa?
Excelente pergunta. Existem distintos heróis em ambos os livros: Snow e Whitehead, em O mapa fantasma; Priestley, Franklin, Jefferson, em A invenção do ar. Mas penso que o tema dominante em ambos os livros é que grandes idéias acontecem graças à complexidade das redes de influência. O aumento da metrópole ajudou a resolver o mistério do cólera, assim também como Snow. A era carbonífera alimentou de poder a revolução industrial, que teve um impacto massivo sobre a atividade intelectual de Priestley e seu engajamento político. Então eu acho que indivíduos são importantes, mas eles são apenas parte da história. A história está muito mais próxima de uma teia de ecossistema do que de uma única trajetória.
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