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Entrevista: Steven Johnson

24 de Junho de 2011
Como nasceu a (boa) ideia de escrever esse livro?
Realmente surgiu a partir da minha experiência escrevendo O mapa fantasma (publicado no Brasil pela Zahar), que foi a história de uma epidemia de cólera em Londres, em 1850, mas também a história de uma grande ideia que verdadeiramente mudou o mundo: a descoberta de John Snow de que o cólera era uma doença vinda da água. Eu me dei conta, enquanto escrevia este livro, de que eu estava desenvolvendo uma pequena teoria nos bastidores sobre como certos ambientes tornam possível mais pensamentos inovadores, então eu decidi pegar esse teoria de fundo e colocá-la e primeiro plano em um novo livro.

Estamos vivendo em uma época melhor para o nascimento de boas ideias? Individualismo não significa menos conectividade?
Sim. Sou fundamentalmente otimista em relação à nossa capacidade de inovação nesse momento, em grande parte devido à ferramentas de comunicação como a Internet e a Web. Um dos grandes temas do livro é que boas ideias vêm em ambientes de rede, a imagem clássica do gênio solitário tendo uma importante descoberta em seu laboratório é realmente um mito. As melhores ideias nascem muito provavelmente de diversas redes de colaboração em um projeto, e a Internet facilita esse tipo de colaboração mais do que qualquer outra tecnologia.

Você não acha que mais conectividade significa também maior competitividade?
Há certamente muita competição online, e muito mais competição pela nossa atenção, o recurso mais escasso de todos. Mas já havia muita competição antes da Internet surgir, o que mudou foram as novas formas de colaboração que esse instrumento tornou possível – apenas pense em algo como a Wikipedia, o que era absolutamente inimaginável 15 anos atrás, ou mesmo a própria web, que é de propriedade coletiva e criada por todos nós.

Quando você precisa de uma boa ideia para um artigo ou livro, o que faz?
Eu tento me surpreender. O melhor caminho para encontrar uma boa ideia é explorar novos territórios: conheça uma pessoa nova, explore uma nova cidade, leia sobre alguma área que você não tenha nenhum conhecimento. Saindo do seu habitat habitual e fazendo novas conexões é realmente a melhor forma de ativar o processo criativo. Você tem que estar disposto a se desorientar um pouco, e também ser tolerante com falhas: você inevitavelmente terá cinco ou dez ideias ruins antes de tropeçar com uma boa.
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