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Entrevista: Stacy Schiff

30 de Março de 2011
O que você pensa sobre Angelina Jolie viver Cleópatra no cinema? E o que pensa sobre ter seu livro adaptado para as telas?
Não tenho certeza se posso apontar outra atriz que seduza tanto quanto Angelina Jolie. De qualquer forma, interpretar Cleópatra é como saltar para fora da tela com carisma e inteligência. Angelina parece se encaixar perfeitamente. E ela é uma mulher forte para um papel poderoso.

Como foi escrever a história de Cleópatra, tão cheia de lacunas e com tantas adaptações ao longo da história? Foi difícil identificar o que era verdade ou não?
Foi muito, muito difícil. Essencialmente, eu ignorei certas fontes (Lucan, por exemplo, que havia escrito poesia e era um sensacionalista) e lembrei os leitores sempre sobre quem estava escrevendo e para qual audiência... Plutarco pode ser o nosso cronista mais objetivo, mas ele estava escrevendo cautelosamente. E quase todo mundo que escreve sobre Cleópatra era um romano ou um oficial do império romano.

Nesse período, o calendário costumava mudar de um imperador para outro. Como foi escrever sobre um tempo como esse? Foi possível falar sobre algumas datas específicas?
Nós temos algumas datas específicas, apesar de, em grande parte, a maioria não fazer mais sentido para nós agora, por conta das mudanças nos calendários. Com preços nós enfrentamos o mesmo problema, eu solucionei isso apenas acrescentando alguma perspectiva. Quanto uma folha de pão custava, comparado com o que um artesão ganhava, comparado com o que custou manter um exército por um ano? Apenas a perspectiva traz sentido para os números.

Talvez a imagem de Elizabeth Taylor tenha sido a responsável para que todos associem a imagem de Cleópatra a de uma mulher linda e muito poderosa. É possível saber exatamente como ela se parecia?
Temos descrições precisas de Cleópatra, a partir de suas moedas, que ela teria aprovado, e em que os retratos são bastante consistentes. Ela tinha olhos baixos, com nariz adunco e queixo proeminente. Fora isso, todos os bustos estão fora, acreditamos que os bustos são menos como ela foi, são todos apenas hipoteticamente semelhantes.

Além de falar sobre uma importante figura histórica, em sua opinião pensar sobre esse período pode nos ajudar a entender a história do Egito nos dias de hoje?
A história do Egito é cheia de grandes viradas e voltas, e provavelmente mais cheia de invasões estrangeiras do que a de qualquer outro país. A única coisa que podemos ter como garantia – no tempo de Cleópatra assim como no nosso – é a sua imprevisibilidade. A multidão que derrubou Mubarak foi a mesma força que construiu as pirâmides, ou que se concentrou nas ruas de Alexandria para se opor a César e Cleópatra.
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