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Entrevista: Mark Bailey

09 de Novembro de 2009
Como surgiu a ideia de escrever um guia como esse?
Ed e eu somos bons amigos que vivem em Nova York: ele um ilustrador e eu um roteirista e a maioria de nossos amigos tem inclinações artísticas. E nós sentimos, quando pensamos em saídas e sobre a cidade, que a nossa vida social estava muito mais caseira do que uma vez tinha sido e que o clima de sair para beber tornou-se um pouco temperado e moderado, especialmente quando comparado com as histórias que ouvimos do passado. Foi Ed quem surgiu originalmente com a ideia para o livro, uma maneira de celebrar um tempo diferente, uma época de lendários escritores que escreveram de forma intensa e viveram de forma intensa também. 

Vocês provaram todas as bebidas do guia?

Absolutamente, mais de uma vez. ☺ Depois que escrevemos as receitas, nós contratamos dois barmen de Nova York para uma consultoria, verdadeiros especialistas em misturas. Nosso objetivo era criar receitas de drinques que fossem como os que os escritores bebiam, da mesma forma como eram feitos na época. O Martini, por exemplo, costumava ser um pouco menos seco do que hoje. 
Toda terça-feira, por cerca de um mês e meio, Ed, os dois consultores e eu nos encontramos e, em cada semana, testamos receitas de um determinado tipo, ou seja, uma semana de whisky, gin na outra etc. A gente experimentava um coquetel, ajustava a receita e experimentava novamente, até que todos ficavam satisfeitos... ou, depois de oito ou nove, bêbados demais para definir o que era melhor.

Como foi a pesquisa para o livro? 
Os escritores que escolhemos para o livro tinham que atender aos seguintes critérios: eles tinham que ser americanos, tinham que ser realmente grandes escritores, tinham que beber intensamente (e não apenas socialmente) e tinham que estar mortos. Muitos desses homens e mulheres beberam tanto ao longo da vida que ficaram conhecidos por isso, beber se tornou parte da pessoa pública. Conseguimos encontrar todo o material que precisávamos em biografias, memórias, cartas, entrevistas e coisas do gênero.

Acredita que hoje os escritores não bebem tanto quanto no passado?
Sim. Eu acredito que na sociedade, pelo menos na América, todo mundo bebe menos, não apenas os escritores. 1) Não havia o entendimento do alcoolismo como uma doença. E não havia forma de tratar isso como hoje. Claro que existiam centros de tratamento, mas nada como um AA. E as pessoas não viam isso como uma grande aflição. Muitos desses escritores não tinham nenhum programa para ajudá-los a parar de beber. 2) Nos anos 70, a sociedade americana de uma forma geral começou a pensar mais na saúde - não apenas em relação à bebida, mas nutrição, exercício etc -, então, três Martinis no almoço foi algo que caiu no esquecimento. 3) Há hoje mais tipos de drogas disponíveis. Parece triste, mas verdadeiro, com cocaína, maconha e pílulas, as pessoas acharam outras substâncias para abusar. 4) Ao se torna mais sóbria, a sociedade americana se tornou menos permissiva em relação ao comportamento ultrajante. A forma como os escritores dessa geração bebiam e se comportavam faria com que, atualmente, eles caíssem no ostracismo. Portanto, profissionalmente, não acho que ninguém hoje possa se dar esse luxo. 5) Finalmente, em relação aos homens escritores (e a maioria no meio dos livros é de homens), eu acho que o papel de pai mudou – é esperado mais e os homens são muito mais envolvidos. É difícil beber como os escritores costumavam fazer e ainda acordar com as crianças.
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