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Entrevista: Linda Himelstein

05 de Novembro de 2010
Quando foi a primeira vez que ouviu falar sobre Piotr Smirnov e quando notou que essa história daria um grande livro?
Eu primeiramente cruzei com os Smirnov enquanto trabalhava como editora de assuntos jurídicos na Business Week. Isso foi em 1995. Um homem veio falar comigo sobre como escrever uma história sobre a batalha judicial travada pelos descendentes de Smirnov para obter as suas marcas e direitos autorais de volta. Eles afirmavam que o legado da família havia sido ilegalmente retirado depois da revolução russa. Fiquei imediatamente fascinada pela história e escrevi sobre isso na revista. Eu continuei a acompanhar o litígio, mas não fiz nada em relação à história até anos depois, quando li Seabiscuit, um livro maravilhoso sobre um cavalo azarão, que veio do nada para se tornar um campeão. Eu via muitos paralelos entre Smirnov e Seabiscuit – ambos eram explorados, ambos vieram do nada, e ambos realizaram grandezas. Depois disso, eu comecei a pesquisar em profundidade a história de Smirnov e nunca voltei atrás.

Onde encontrou bom material para pesquisar sobre a família?
A maioria da pesquisa sobre a família Smirnov estava nos arquivos russos do século XIX. Tive uma tradutora trabalhando em tempo integral para mim em Moscou. Ela ajudou muito em tudo, desde a desenterrar cartas pessoais até os registros financeiros. Eu tinha dois livros traduzidos do russo que foram escritos pelos descendentes de Smirnov e uma grande investigação em jornais e outras publicações durante o século 19 na Rússia. Além disso, eu tive sorte quando me deparei com um arquivo da Vodka Smirnoff na Universidade de Harvard. Estes documentos foram imensamente úteis para minha pesquisa, assim como outros descobertos na Universidade de Columbia e na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Quantos anos dedicou a esta pesquisa?
O livro levou quase cinco anos para ficar pronto. A maioria desse tempo foi gasto em arquivos e buscando informações históricas para incluir a família Smirnov no contexto apropriado. Por exemplo, tanto Tolstoi quanto Tchecov eram defensores da temperança proeminente. Eu incorporei suas atividades, que iam diretamente contra Smirnov e seu negócio, no tecido da história.

Em sua opinião, o que decisivo no sucesso de Smirnov?
O sucesso de Smirnov foi em grande parte resultado do próprio home, assim como também do tempo em que ele viveu. Ele era um empresário extraordinário, um brilhante homem de marketing, e um visionário quando vendeu um produto que foi tão onipresente na Rússia, como a Coca-Cola é nos EUA. Do nada, ele conseguiu criar uma marca que foi significativa para a sociedade. Ele foi um dos primeiros homens de negócios a anunciar, a se concentrar na embalagem, e utilizar o que hoje chamamos de marketing de base. Ele também fez isso num momento em que a Rússia e os czares estavam tentando mudar (liberalizar) políticas em tudo, da servidão à censura. Smirnov navegou neste momento de turbulência melhor do que ninguém, mesmo sem educação básica ou conexões. Afinal, ele nasceu um servo, tornando a história ainda mais notável.
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