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Entrevista: Juliana Lins

20 de Abril de 2009
Uma das características mais marcantes de Sinceramente grávida, é, justamente, a sinceridade dos textos. A sensação é a de estar conversando com uma amiga íntima. Como foi expor as agruras e felicidades da sua gestação tão abertamente?
Que bom que você achou isso, a ideia era exatamente falar aberta e sinceramente sobre esse período tão peculiar da vida de muitas mulheres e sobretudo das tintas fortes que cada um desses momentos ganha na gravidez. Isso quer dizer abranger as coisas boas e as não tão boas também. Fiz questão de incluir no relato aqueles momentos que são difíceis de viver e dos quais a gente só consegue rir depois que passa por eles. Na verdade pra mim sempre foi mais fácil escrever do que falar. Agora que o livro vai ser lançado e eu vou ter que começar a falar sobre ele virá, sem dúvida, a parte mais difícil do trabalho. 

Nas suas duas gestações, foram muitas as leituras de livros sobre o assunto? Foram essas leituras que inspiraram a produção de seu livro?
A grande parte das leituras me inspirou ao avesso. Isto é, eu resolvi escrever porque não me identificava muito com o que lia. Na primeira gestação eu li dois livros. Um foi presente do meu pai e era um aglomerado de dicas para a mulher se sentir “bonita na gravidez”. O outro comprei num sebo, era de uma americana, da década de 70, e a única coisa que lembro dele era que a mulher recomendava beber uma taça de vinho antes de dar de mamar, pra relaxar. Achei isso bem representativo de uma época, quem é que teria coragem de dar uma dica dessas hoje em dia? Acabei usando essa sugestão uma ou duas vezes. Na segunda gravidez comecei a escrever antes de pensar em ler qualquer coisa, mas ganhei outro livro do meu marido que era um papo bem mais descontraído sobre o assunto. Depois, quando a editora topou fazer o livro, parti para leituras de pesquisa, para não cair no erro de escrever algo que já existia. Aí, achei coisas bem interessantes, mas a maioria ainda não traduzida para o português.

O seu livro junta seu depoimento sincero, um diário do parto, entrevistas com grávidas, quadros com especialistas (neurocientista, obstetras, nutricionista, psicóloga...) e fala sobre as mais diferentes situações pelas quais uma grávida precisa passar. Acredita que, com esse formato, foi possível chegar a um conteúdo mais completo? Ou que essa foi a melhor forma encontrada para dizer que a experiência tem seus pontos positivos e negativos e que cada um a vive de uma forma distinta?
Bom, eu não sei se é a melhor forma, mas a intenção desse “mosaico” era remar contra as “dicas, receitas e regras” de tantos “livros de grávidas” que já existem por aí. O relato é bastante pessoal, então desde o começo senti necessidade de fazer as entrevistas e incluir experiências diferentes da minha. Depois, começamos a achar que seria importante ter também algumas palavras mais abalizadas, pequenos textos temáticos de pessoas que de fato entendem do que estão falando. E por fim, um detalhe que eu gosto muito do livro, são os boxes que contam como a minha primeira filha, e outros “primeiros filhos”, viveram essa expectativa de um irmão na barriga da mãe.
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