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Entrevista: Ian Stewart

03 de Setembro de 2010
O senhor é famoso por disseminar e popularizar a matemática com jogos divertidos. Como o senhor criou esse estilo de escrever e ensinar matemática ou a matéria para o senhor sempre foi algo muito divertido?
Eu comecei a me dar conta de que a matemática podia ser muito divertida, assim como também uma matéria escolar, quando eu tinha 13 ou 14 anos. Eu era bom em matemática e podia fazer os trabalhos de casa e passar nos exames, mas até essa idade eu não tinha um conhecimento mais amplo de como a matemática é, e certamente não tinha conhecimento da existência de jogos de matemática e outros aspectos recreativos. Então, eu comecei a ler a coluna mensal de Martin Gardner,Mathematical Games, na revista Scientifc American, e isso me inspirou a procurar mais material desse tipo. Eu tinha alguns amigos que se sentiam da mesma forma e nós pegávamos um trem para Londres (duas horas de viagem) para comprar livros de matemática.
Meu professor de escola, Gordon Radford, sempre me inspirou, ao ensinar horas extras de matemática para um grupo nosso, fora do currículo usual. Como um universitário, eu editei Eureka, a revista de matemática da sociedade de matemática da universidade de Cambridge. Depois, como estudante de doutorado na universidade Warwick fui um dos editores da Manifold, uma revista de matemática dos estudantes. Então, eu escrevi alguns livros sobre o lado divertido da matemática, fui chamado para escrever uma coluna regular para o Pour La Science (a edição francesa daScientific American), depois, para a própria Scientific American... e tudo cresceu de forma natural, por sua própria iniciativa.

O senhor cria esses problemas matemáticos diariamente, como parte da rotina, escrevendo depois em cadernos de anotações?
Na minha adolescência eu mantinha uma série de cadernos de anotações – seis deles eu ainda tenho – então eu comecei a organizar o material em pastas e fichários e, em seguida, em armários com gavetas. Nos dias de hoje eu ainda guardo coisas no computador. Eu continuo colecionando matemática divertida e escrevo sobre isso. Eu diria que cerca de um terço dos meus livros nos últimos 20 anos têm sido sobre o lado divertido da matemática. Meu editor sugeriu coletar parte desse material e reunir em um livro, que se tornou o Professor Stewarts Cabinet of Mathematical Curiosities. Esse entrou para a lista de best-sellers em janeiro de 2009. Então, escrevi mais um volume nessa linha. Um terceiro livro para a série já está planejado. Desde então, publico também Cows in the Maze, com a Oxford University Press, que é uma coleção com algumas das minhas colunas para a revista a Scientific American.

O senhor acredita que a matemática pode ser uma espécie de contos de fadas, que você lê para os seus filhos diariamente, como algo divertido e educativo? O senhor fez isso com seus filhos?
Eu conheço algumas pessoas que fazem isso, porque eles me dizem que usam meus livros com esse propósito. E alguns dizem que seus filhos pegam os livros e não querem mais devolver. Nós costumávamos ler muito para os nosso dois filhos, mas permanecíamos na ficção (Dr Seusss Cat in the Hat foi o favorito, minha mulher e eu ainda conseguimos recitar o livro inteiro, palavra por palavra). Não pretendia forçar a matemática para eles, se eles não quisessem! Um se tornou um programador de computador, então, ele usa muita matemática. O outro vende carros usados (cerca de 50 mil carros a cada ano). Ele trabalha para a Peugeot e vende todas as frotas de carros usados que as companhias usam por um ano.
Se mais pessoas mostrassem aos seus filhos o lado divertido da matemática, acredito que uma parcela muito maior ia gostar da matéria na escola.
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