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Entrevista: Ian Stewart

18 de Agosto de 2009
Logo na introdução do livro o senhor diz que, desde os 14 anos, coleciona cadernos com anotações como as que compõem esse almanaque. Ainda faz isso? Anota as histórias interessantes que encontra e as idéias que têm?

Continuo tomando nota de qualquer ideia matemática interessante que tenha, ou que eu veja no trabalho de outros matemáticos. Tenho 104 gavetas no meu escritório, cerca de dois mil livros de matemática e muitas centenas de revistas. Tenho um interesse muito amplo, embora minha pesquisa seja voltada para áreas mais específicas – principalmente dinâmicas. 

O senhor acredita que o ensino da matemática precisa ser reformulado nos colégios? 

Matemática é um assunto difícil para ensinar, e eu tenho uma grande simpatia pelos professores. Um problema é que (pelo menos na Inglaterra) existe uma grande ênfase no aprendizado de técnicas básicas, o que leva a uma série de cálculos de rotina. Infelizmente, isso pode ser chato, e os alunos não vêem a utilidade e a beleza da matemática. Eles não têm a oportunidade de desfrutar do assunto. Penso que seria uma boa ideia gastar pelo menos 20 por cento do tempo dando uma olhada geral nas ideias matemáticas, sem se preocupar com técnica. Matemática tem uma longa e fascinante história e tem tido um enorme efeito sobre a cultura humana e a tecnologia. Mas muitos estudantes nunca se interaram disso.

As crianças aprenderiam mais se a matéria parecesse mais divertida e curiosa?

É muito difícil de aprender um assunto se você não estiver interessado e desfrutando disso. Eu não acho necessário fazer a matemática divertida. Porque eu acho que, na maior parte do tempo, ela é divertida! Mas isso só é verdade se o professor falar de tópicos que os estudantes achem interessantes. Eu dou palestras públicas sobre coisas como os padrões de circulação dos animais (caminhada, trote, galope), ou a circulação de planetas do sistema solar, ou como se formam os flocos de neve. Mesmo as pessoas que não gostam de matemática, acham interessante.

Eu dei uma série de palestras sobre a matemática na televisão britânica, e nós iniciamos uma delas trazendo um tigre vivo para dentro da sala. Isso certamente captou a atenção do público. Claro que você não pode fazer isso em uma típica classe. Mas ilustra o que é possível fazer para uma turma ficar mais animada.

Seu maior prazer, em seus livros, é conseguir transformar assuntos complexos em algo divertido e simples?

Eu passei grande parte da minha vida profissional fazendo exatamente isso e tenho achado muito eficaz e gratificante. A melhor coisa em fazer complicadas ideias se tornarem mais simples é que você acaba compreendendo o assunto melhor também. Tive ótimas ideias para pesquisas, a partir do meu trabalho de buscar uma maior compreensão da ciência.
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