Zahar

Blog da editora

Entrevista exclusiva: Robert P. Crease

01 de Agosto de 2011
Como você selecionou as equações que entraram no livro? Como foi definir as 13 mais importantes? 
Em maio de 2004, eu escrevi uma coluna para a Pshics World pedindo aos leitores para me enviar sugestões das maiores equações em matemática e ciência. Eu recebi cerca de 120 respostas e publiquei grande parte da lista na coluna de outubro de 2004. E, então, perguntei aos que haviam respondido por que eles consideravam que essas equações mereciam ser chamadas de grandes. Um dos mais importantes critérios acabou sendo o que grandes equações mudam a paisagem do conhecimento – transforma a forma como nós pensamos que a natureza se organiza. Para o livro, eu selecionei não as mais frequentemente mencionadas, mas as que parecem transformar nosso entendimento da natureza de forma mais dramática.

Sua intenção era falar sobre os esforços humanos em entender e simplificar a natureza?
Eu queria reacender, para os leitores, o senso de mistério que acompanha os momentos em que as grandes equações nasceram. Esses cientistas estavam insatisfeitos com o que sabiam – eles sentiam que o mundo estava discordante, caótico, não completamente compreendido – e percebiam indícios de outro, uma ordem mais profunda apenas sobre o horizonte. Quando eles expressam essa ordem na forma de uma equação, parece simultaneamente descoberta e inventada, alguma coisa que já estava lá no mundo e, ao mesmo tempo, uma criação humana. Esses são momentos quase mágicos, pois nos permitem vislumbrar a mutabilidade da nossa compreensão da natureza.

Você acredita que a matemática ainda não é uma ciência valorizada como deveria?
Acredito que a matemática é apreciada. O que acho que é desapreciado é o cuidado e a habilidade necessários para se ensinar matemática. Matemática não são apenas definições e fórmulas. Isso envolve jogos, alegria e beleza – e esses elementos precisam ser colocados de volta nas aulas de matemática. 

Quando você decidiu falar sobre grandes equações se deparou com grandes cientistas também? Quais foram, na sua opinião, os homens mais interessantes na história da matemática?
O matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783) foi certamente um dos cientistas mais fascinantes de todos os tempos. Ele calculava tão facilmente quanto nós respiramos e comemos. Sua memória foi tão vasta que inclui extensa tabelas matemáticas. Quando ele ficou cego, provavelmente por causa de fadiga ocular, ele tinha os seus filhos e assistentes seguindo-o por toda parte e copiando suas palavras. Quando Euler tinha 65, um incêndio destruiu a sua casa e um amigo carregou o homem cego para um lugar seguro em seus ombros. Ele continuou a calcular – e suas descobertas vão desde as órbitas planetárias até o comportamento dos balões – por uma dezena de anos mais antes de ele morrer. Muitos outros cientistas mencionados no meu livro eram igualmente fascinantes. Isaac Newton (1642-1727) era famoso por ser paranóico e dissimulado, mesmo assim capaz de chegar às descobertas mais impressionantes e de longo alcance que a humanidade já viu. Mas a descoberta da segunda lei da termodinâmica é um conto épico cheio de personagens poderosos e bem desenhados que se envolveram em lutas titânicas, tanto que eu escrevi o capítulo na forma de uma sinopse para uma peça.
Categorias: Entrevistas