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Entrevista exclusiva: Michael Mosley

24 de Agosto de 2011
Seu livro foi inspirado em uma série da BBC. Como foi a adaptação?
Cada capítulo do livro, assim como na série, mostra como cientistas tentaram responder a diferentes grandes questões. O primeiro capítulo, por exemplo, olha para a tentativa, dos gregos antigos até os dias de hoje, de responder à pergunta: “O que há lá fora?”. É a história da astronomia.

O livro conta, entre outras tantas coisas, como o dinheiro teve e ainda tem uma importante influência na evolução da ciência. Você acredita que, sem a pressão monetária, o mundo teria uma história muito diferente?
A ciência não opera em um vácuo. Assim como todas as atividades humanas, é comandada pelos desejos humanos. Galileu foi um professor de matemática de meia idade com uma família para sustentar, quando ouviu pela primeira vez que um holandês estava em Veneza tentando vender uns óculos de longa distância que ajudariam você a ver bem navios antes de eles serem visíveis a olhos humanos. Galileu pensou que poderia ganhar algum dinheiro se pudesse fazer um dispositivo melhor e, assim, nasceu o telescópio. Uma vez que ele tinha o telescópio era natural usá-lo para olhar para cima, para o céu de noite, e, fazendo isso, mudou nossa visão dos céus. 
Pesquisas sempre foram moldadas por aquele que está preparado para pagar as contas. No século XVII na Itália, eram comumente os príncipes, dispostos a impressionar outros.

Charles Darwin formulou sua teoria da evolução das espécies na mesma época em que Alfred Wallace produziu uma muito parecida, mas apenas um ficou mundialmente famoso e foi reconhecido como o autor da descoberta. Você acredita que a sorte é um dos fatores que determinou os grandes cientistas da história?
Eu acredito que a sorte tem um grande papel. O que costuma acontecer é que um monte de ideias chega ao mesmo tempo, então, há pessoas que formulam a mesma teoria. A razão da de Darwin ser mais famosa é, em parte, porque ele era mais rico e melhor relacionado, mas também em parte porque ele se aprofundou mais que Wallace.

Cada um dos capítulos tem uma grande questão. Você acredita que essas seis continuam sendo as grandes questões que movem cientistas? 
Eu acredito que as seis questões que ressaltamos no livro continuam entre as grandes questões que movem ciência e cientistas, mas elas geraram muitas novas perguntas. Agora, nós temos uma idéia muito melhor sobre “O que há lá fora?”, mas ainda restam muitas perguntas: “ De que é feita a matéria negra?”, “ Em que rapidez o universo se expande e quando vai terminar?”, “ O que é energia negra?” etc...
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