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Entrevista: Elisabeth Badinter

11 de Agosto de 2009
Seus pensamentos (sobre questões feministas, políticas ou racistas) muitas vezes são considerados polêmicos. A senhora acredita que O infante de Parmacausa também certa polêmica ao mostrar que não podemos controlar os muitos fatores que interferem na educação de uma pessoa?
Não creio estar sendo polêmica ao mostrar o fracasso da educação de um príncipe italiano do século VIII por autênticos filósofos. Hoje sabemos muito bem que a razão não pode tudo. Polemizo apenas comigo mesma, que continuo a me situar como uma filha desses filósofos!

Na história, a melhor educação falhou por dar conta apenas do lado racional. A senhora acha que não há como planejar uma educação sem pensar individualmente cada caso? Isso significaria que educação de qualidade é uma questão completamente relativa? 
Acho que o "grande" professor é aquele que consegue dirigir-se coletivamente a uma classe e despertar em cada um o prazer de aprender e a vontade de compreender. O afetivo tem sempre uma palavra a dizer.

Como foi o processo de pesquisa para o livro? Que acervos e documentos foram pesquisados para a obra?
Trabalhei nos arquivos de Parma e nos do Ministério das Relações Exteriores, em Paris.

Quando a senhora se deparou pela primeira vez com a história do infante de Parma?
Descobri a história do infante de Parma (1751-1802) e o fracasso de sua educação por intermédio do grande filósofo Condillac, quando trabalhava na minha trilogia As paixões intelectuais (1735-78). Minha curiosidade foi despertada pelo fato de que os enciclopedistas fizeram de tudo para abafar essa história, que de certa forma é um fracasso de todos.
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