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Entrevista: Christian Joachim

07 de Julho de 2009
O senhor acredita que o leitor tem em mãos um livro pioneiro: que, além de contar a história das nanociências, revela suas muitas possibilidades?
Nanociências é o primeiro livro. Se você acredita que “As ciências são a última fronteira” (V.Bush, 1945), então as nanociências precisam ser apresentadas e explicadas dentro de um contexto. Geralmente, o desenvolvimento da nanociência e da nanotecnologia está confuso dentro da história da miniaturização. Esse não é o caso e isso é o que explicamos em nosso livro. Graças a Laurence Plévert nós escrevemos essas explicações de uma forma que um grande público pode facilmente entender.

Ao escrever esse livro, o objetivo dos senhores foi chamar atenção para o emprego que as nanotecnologias podem ter? 
Em uma reação imediata: não há nada de perigoso na nanotecnologia. No capítulo de nosso livro sobre os perigos da nanotecnologia, fizemos um passo-a-passo desmantelando todas as afirmações erradas e toda essa confusão. Por exemplo: existe uma grande confusão entre nano-materiais e nanotecnologia. Nano-materiais significam materiais estruturados à escala nanométrica. Isso pertence às ciências materiais e não ao domínio da miniaturização e certamente não a nanotecnologia. Pode ser que alguns novos materiais criem problemas de saúde. Em muitos países, existem instituições capazes de cuidar disso. A ideia desse livro surgiu devido à confusão entre os nano-materiais, nanociências e nanotecnologias, o que é ainda mais grave.  Nano-materiais não têm nada a ver com a nanotecnologia. Explicamos isso em nosso livro e explicamos como ocorre essa confusão. E não há nenhum capítulo sobre nano-materiais no livro. Há também confusão na definição de "nanociência" ao redor do planeta. Em muitos países, há a definição errada de que "nanociência" é a ciência de novos fenômenos que aparecem quando o tamanho de um material vai abaixo de 100 nm. Isso está errado. A mecânica quântica está aí para tratar desse assunto e não há a necessidade de inventar um nome novo. Nós escrevemos explicitamente em nosso livro que um novo mundo como o da “nanociência” precisa ser reservado para coisas novas, como, por exemplo, o uso de uma única molécula como portal lógico. Este não é o caso ainda, estamos trabalhando nisso. Mas o trabalho dos pesquisadores é explorar coisas como estas, não inventar novos nomes para coisas antigas. 

O senhor acredita que o livro traz uma visão otimista sobre os caminhos futuros das nanociências?
Por que você quer mudar o curso da nanotecnologia? Fazer física, química ou tecnologia com uma única molécula (sim, apenas uma e somente esta) é abrir tantas novas áreas na ciência e em benefício da humanidade, que não há nenhuma razão para alterar o curso. Mais uma vez, nanociências, tecnologia atômica e nanotecnologia pertencem ao caminho natural das aventuras humanas. Em paralelo com a exploração do espaço e do universo, estamos explorando o mundo, não estatisticamente, mas molécula por molécula.
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