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Descubra os principais temas de "Babel, novo livro de Zygmunt Bauman

12 de Setembro de 2016

Babel, livro de Zygmunt Bauman e Ezio Mauro, discute temas essenciais para se entender a pós-modernidade. Confira alguns dos temas abordados no livro.

   


Os princípios que sustentaram o ethos republicano, o sistema de regras que moldou relações de poderes e os procedimentos para sua legitimação, para estabelecer e ordenar valores comuns, até nosso comportamento e estilos de vida atuais, devem ser repensados a partir do zero porque não parecem mais adequados para se viver num mundo que foi submetido a uma extensão espacial esmagadora e ao mesmo tempo a uma contração global sem precedentes, e para se compreender esse mundo.

 

Perdemos a alavanca da mudança

O sistema político parece ter levantado a ponte levadiça, contentando-se em arremedar participação, transparência, representação, ao mesmo tempo que os cidadãos parecem ter perdido a alavanca da mudança, da conexão, da transição do privado para o público, do significado da plena legitimidade — em outras palavras, o direito de questionar o poder e exigir respostas.

 

Hegemonia sem patrocinadores 

O milagre do sistema hegemônico dos tempos atuais é sua imperceptibilidade. Ele opera como se não fosse uma criatura política, mas uma filha do caos, gerada pela crise e portanto inevitável. Corremos o risco de não ver a ação, não reconhecer o ator, não distinguir o campo. Corremos o risco de nem sequer compreender que isso é poder em movimento. Pela primeira vez, cá está uma hegemonia que parece não ter patrocinadores. Como se a hegemonia tivesse criado a si mesma, sem nada saber das consequências e portanto inocente de qualquer delito.

 

A crise da opinião pública

Tomar cuidado para não gerar ondas, não criar uma corrente de opinião: este é um dos aspectos cruciais do procedimento neo-hegemônico. Toda a construção de um perpétuo clima sensorial, visual, estético e até cultural que sustentará sentimentos públicos amplamente alimentados deve ter lugar fora da esfera cognitiva, sem qualquer apelo para participar, para se indignar, para recusar ou apoiar, para tomar partido — em outras palavras, sem nunca se levantar do sofá.

 

A imortalidade da esperança 

O que nos mantém vivos e ativos (contra uma atitude de capitulação) é a imortalidade da esperança. “Rebelo-me, logo sou!” Sim, mas como? Um alfabeto foi quebrado, uma sintaxe desenredada. Se o indivíduo é um cidadão privado de cidadania genuína, se ele sente que não é representado, se os fios entre sua solidão política privada e a vida pública estão rompidos, assim também a rebelião corre o risco de ser marginalizada. Havia um alto-falante, um lugar, e uma multidão. Onde está o alto-falante hoje, onde está o movimento, onde estão as pessoas? Qual é o endereço da praça? Quem é capaz de traduzir palavras em ação ou está disposto a fazê-lo?

 

A arena restrita da liberdade contemporânea

Libertos das restrições sociais ou morais — e por conseguinte políticas — da responsabilidade, impelidos para o mar vazio e calmo de uma nova inocência passiva: talvez essa seja a nova maneira para indivíduos contemporâneos se sentirem livres. Não com suas faculdades plenas e todos os direitos ativados. Mas livres ao contrário porque foram libertados, esvaziados de sua natureza e códigos sociais, dispensados de suas obrigações, sozinhos no meio da conectividade e à deriva de sua comunidade, “podados” até dos tênues laços de suas antigas afiliações.

 

A ubiquidade da internet 

A “fresta de luz” que procuramos, a “migalha de compreensão”, “conhecimento como meio de progresso”, não é apenas uma questão do que acontece, mas do sinal que isso deixa, dos efeitos que provoca, e de nossa capacidade de mensurar tudo isso, pesá-lo, julgá-lo. O que estamos buscando é um salto na nossa compreensão dos fenômenos, uma extensão de nossas faculdades misturada com seu deslocamento, quase um desvio. A internet mudou a história porque tudo é contemporâneo na web, ela mudou a geografia porque na internet tudo é ubíquo, mudou a economia com companhias digitais que valem mais do que empreendimentos centenários, mudou o próprio comportamento humano.

 

 

(Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges)

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