Zahar

O adeus a um dos mais importantes pensadores da contemporaneidade

Criador do conceito de “modernidade líquida”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman morreu em Leeds, na Inglaterra, em 9 de janeiro de 2017, aos 91 anos. A marca do seu legado é uma produção literária extensa, e a sua consolidação como um dos maiores pensadores da atualidade. 

Sociólogo, professor, veterano da Segunda Guerra Mundial, judeu e ex-refugiado. A vida de Zygmunt Bauman se entrelaça com os acontecimentos mais marcantes do século XX, e sua obra redefiniu a maneira como pensamos sobre consumo, relações e a própria modernidade no século XXI.

Perspicaz analista dos fatos cotidianos, um dos destaques da sua obra é o best-seller Amor líquido, fundamental para a compreensão das relações afetivas no mundo atual.

Com 40 livros publicados com enorme sucesso no Brasil pela Zahar, sua obra apesar de apontar a fragilidade dos laços humanos na pós-modernidade, também indica que são esses mesmos laços que têm a capacidade de mudar o mundo. 

 

DEPOIMENTOS 

" Zygmunt Bauman foi um homem profundamente íntegro, autor incansável, pensador original da contemporaneidade. Porque soube se comunicar diretamente com o público, seus leitores se estenderam para muito além das salas de aula. Levou pessoas de todo tipo e idade a pensar a sociedade atual através do conceito de liquidez – que legado! Sua generosidade conquistava a todos, e pude comprovar isso em sua recente visita ao Brasil. Foi, e é, uma honra publicar sua obra em português."  Ana Cristina Zahar, diretora editorial da Zahar

" Um dos últimos humanistas e pensadores lúcidos do século XX, Zygmunt Bauman morreu deixando poucos em seu lugar, como Edgar Morin, para continuar a tarefa de ajudar a entender o mundo. Embora já esperasse um entrevistado com inteligência pouco usual , os pensamentos agudos, a vivacidade, curiosidade deste filósofo surpreenderam. Percorreu quase tudo, crítico das armadilhas das redes sociais, da ideia de progresso, do neoliberalismo e da globalização. Suas análises longas eram feitas com calma, clareza, chamando atenção para a condição passageira de tudo o que até então era sólido. Deixou poucos assuntos fora da agenda, Bauman mergulhava em tudo, felicidade, solidão, amor, pós-modernidade,  era um filósofo que falava e escrevia para pessoas comuns. Traçou estratégias para a vida que ficaram nos muitos livros, palestras gravadas e na memória de quem teve o privilégio de acompanhar a vida deste homem incomum."  Alberto Dines, jornalista e escritor

" Estou consternado com a morte de Bauman. Já o citei em vários textos. Li tudo dele. E certamente sua perspicácia amparada em sólidas pesquisas e num vasto repertório cultural fará falta a todos que desejamos entender o mundo e a cultura que vivemos e que ele chamou de "modernidade líquida" (e, nesta, todo resto seria igualmente "líquido" ou fluido, desde as cidades até as identidades, passando pelas tradições e valores), numa referência clara à frase de Marx de que, no capitalismo (logo, na modernidade capitalista), "tudo que é sólido se desmancha no ar". (…) Eu seguramente sentirei muita falta de seus escritos e entrevistas. Comungava com ele a ideia de que a maior concentração da riqueza do mundo nas mãos de poucos, de uma elite cada vez mais transnacional (mas uma riqueza que deveria ser de todos e servir a uma digna a todos) está produzindo uma população de "supérfluos" que são explorados como mão-de-obra barata ou escrava, encarcerados ou escravizados - e tudo isso combinado com a exploração predatória e nada sustentável do meio ambiente. Recomendo a todos e todas que leiam Bauman. Tenho certeza de que despertarão para o males que nos cercam e vão se encher de vontade de mudar tudo isso. Descanse em paz, Bauman. Suas ideias continuarão vivas!"  Jean Wyllys, deputado federal  (leia na íntegra)

" Como disse um analista de sua obra, Zygmunt Bauman foi um tradutor da realidade, capaz de identificar e explicar a variedade de fenômenos que caracteriza a era contemporânea – ou a modernidade líquida, como ele preferia denominá-la. Seu objeto de estudo era a globalização, especialmente em sua fase atual, e seus efeitos sobre as vidas dos seres humanos, sob os aspectos social, moral e psicológico. Sociólogo com formação filosófica e amor pelas letras, seus textos conseguem ser ao mesmo tempo densos, atraentes e compreensíveis – e, por isso mesmo, mais trabalhosos para o tradutor... Fará falta sua voz em defesa da ética e da solidariedade entre os seres humanos num momento em que se evidencia, por todo o mundo, a cegueira moral associada à pregação e à prática da intolerância que ele denunciava e combatia."  Carlos Alberto Medeiros, tradutor de livros do Bauman 

" Os pensadores contemporâneos certamente oferecerão ao mundo uma ampla e profunda análise da obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que morreu nesta segunda-feira (9) aos 91 anos. Tenho sido leitora de seus textos instigantes há pelo menos uma década e, sem me atrever a analisá-los com a amplitude e profundidade que gostaria, sinto-me no dever de expressar minha gratidão por ter neles encontrado uma superfície de apoio nos desafios gigantescos da ação política no interior da crise que a civilização humana enfrenta. (...) A dedicação e talento de Bauman para desvendar a fragilidade das convenções criadas para dar suporte aos empreendimentos humanos, que são sempre ações de natureza política, só era menor que seu compromisso com a busca da verdade. Este compromisso se mantinha mesmo quando resultava em liquefazer –ou desmanchar no ar– até mesmo as mais sólidas certezas. Marina Silva, ex-senadora (leia na íntegra)

"Morre aos 91 anos o sociólogo e pensador Zygmunt Bauman. Eu diria que morreu jovem, apesar da idade. Ainda havia muito a aprender com ele sobre a nossa realidade líquida, e muito a ouvir de seu otimismo acerca de alternativas para o futuro. Sobretudo os jovens foram seduzidos pela compreensão que Bauman demonstrou de suas angústias, do amor líquido, das dificuldades de estar no mundo numa era tão turbulenta e desesperançada.
Embora teórico importante, por sua negação do fim da modernidade – recusava-se a classificar nosso tempo como pós-modernidade – e a identificação do estado líquido que ela hoje assume, foi como “leitor” que Bauman mais contribuiu para nosso entendimento do mundo. Uma garota inglesa processada por dívidas nos cartões de crédito, uma propaganda prometendo prazeres fugazes, um artigo novo na prateleira do supermercado, nada escapava à criteriosa leitura que o brilhante sociólogo fazia do nosso cotidiano. Nada disso se perde com sua morte, pois ele nos legou, com magnanimidade ímpar, uma obra abundante, plena de diálogos com intelectuais das mais diferentes nacionalidades e formações, sobre questões as mais diversas. Essa generosidade materializada em livros é seu legado para aqueles que ainda querem aprender a refletir sobre atos e fatos em aparência triviais, mas que ganham um sentido mais amplo quando iluminados pelos ensinamentos desse verdadeiro mestre." Angela Vianna, editora dos textos do Bauman


 

 CONHEÇA A OBRA DO AUTOR

  

   

► Veja a lista completa dos livros publicados pela Zahar

 

Galeria

Compartilhe

Comentários

Barbara

Perdemos um mestre!

13 de Janeiro de 2017

Valdemar Lopes ...

Quando conheci Bauman, via textos apresentados no meu curso de Mestrado, percebi, imediatamente, que todos nós temos uma missão especial nesta vida. Bauman, com certeza, cumpriu exemplarmente ante a clareza e profundidade de seu discurso acadêmico. Obrigado, querido autor, por oportunizar novas compreensões de como viver em sociedade em mutação permanente.

13 de Janeiro de 2017

Amanda Fontes

Zymunt Bauman. Autor que me ganhou em suas primeiras linhas quando o li pela primeira vez. O livro, que pra mim é o mais marcante, 44 cartas de mundo líquido moderno. Aluna do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora, fui aprendendo e lendo cada vez mais os conceitos e os pensamentos deste brilhante escritor que cada vez mais me fazia sentido. Bauman foi meu melhor amigo quando escrevi meu primeiro trabalho acadêmico - sou formada em Ciências Humanas pela mesma universidade. Em 2015 tive a honra de ter estado em sua primeira e única palestra no Brasil, no evento 360graus promovido pela editora Globo. Sonho realizado, emoção a flor da pele e aquele momento ímpar se tornará a mais pura recordação. Ao meu eterno escritor e sociólogo preferido, minha gratidão.

15 de Janeiro de 2017

Comentar