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Da ideia ao livro: a narrativa de "Contêiner", por Fernando Vilela

19 de Maio de 2016

Artista plástico, designer, escritor e ilustrador, Fernando Vilela é autor de 15 livros para crianças e jovens, ilustrou mais de 60 para editoras nacionais e estrangeiras e já recebeu o Prêmio Jabuti cinco vezes. Seu trabalho como artista plástico faz parte da coleção de museus como o MoMA, em Nova York, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Pela Pequena Zahar, Vilela acaba de lançar Contêiner, que narra apenas em imagens as peripécias de um cachorro e uma gata que viajam pelo mundo em contêineres de navios de carga. O evento de lançamento será dia 21 de maio, sábado, às 16h, na Livraria da Vila Fradique. O autor fará um bate-papo com as crianças sobre o livro e haverá ainda um pocket show do CD Insetos no céu, inspirado no livro O voo de Vadinho, escrito por Álvaro Faleiros e ilustrado por Vilela.

E em agosto, a editora relança o premiado Lampião e Lancelote, originalmente publicado pela Cosac Naify. 

  

Abrindo o contêiner: um bate-papo com o autor

Como surgiu a ideia do livro?   

As ideias para este livro surgiram por vários caminhos. Eu sempre tive um fascínio estético pelos portos, pela beleza gráfica dos guindastes o movimento dos contêineres entrando e saindo dos navios e a própria cor dos contêineres empilhados nos portos, isso sempre me encantou. Outra coisa é o deslocamento dos produtos pelo mundo: computadores que vem do oriente, geleias que vem da Inglaterra, exposições de arte que circulam, quase tudo é transportado por navios e contêineres o tempo todo. Pensei num livro que explorasse este universo que é de grande curiosidade para todos.

A narrativa nasceu na minha imaginação e passou inteirinha na minha frente como um filme. Apesar de não ter um texto, escrevi o roteiro da história e fiz pequenos esboços, cena a cena, já pensando como se estivessem na sequência das páginas do livro. Assim que terminei esse estudo da primeira versão comecei a pesquisar elementos para enriquecer a história além de resgatar os desenhos de guindastes e contêineres que tinha feito no Porto de Santos e do Rio. Foram mais de três anos de maturação da ideia inicial até a primeira versão completa do livro, quando decidi apresentá-la a uma editora .


·     Você mesclou várias técnicas nesse processo de criação. Como foi o processo de produção? 

     Trabalhei no ateliê com desenho e gravura e depois de digitalizar as imagens utilizei o computador para aplicar as cores e finalizar as ilustrações. Usei lápis para criar os personagens, grafite grosso e gravuras feitas com carimbos de borracha para os contêineres, navios e portos. Fiz todas as ilustrações em preto e branco, e cada uma delas foi construída por quatro desenhos diferentes, em que cada desenho corresponde a uma cor. Para este livro escolhi cores especiais - vermelho, verde, preto e azul - que para mim tinham significados na história. Tão importante quanto criar a história e suas ilustrações é pensar num acabamento para o livro - no tipo de papel utilizado, nas cores, no formato, etc - que potencialize ao máximo a força poética da narrativa e das suas imagens. Todo esse esforço é para que o livro, essa obra de arte gráfica, proporcione uma experiência estética ao leitor.

         

           

 

·   Para você, qual o papel da imagem e o da palavra no livro infantojuvenil? E por que optou por narrar Contêiner apenas com ilustrações, sem texto escrito?

O livro ilustrado é uma dança entre palavra e imagem. Uma depende da outra para contar a história. Às vezes se complementam, outras, a imagem diz o que não está na palavra e vice-versa. O livro de imagem, ou sem texto, é um desafio, pois narrar sem o texto exige que a sequência das ilustrações tenha continuidade, coerência, e o leitor não pode se perder. Também gosto da ideia da universalidade da imagem, de pessoas de diferentes nacionalidades poderem ler este livro; além da criança que ainda não sabe ler palavras poder ler as imagens.

Saiba mais
 
Daisy de Oliveira, do canal A cigarra e a formiga falou sobre o livro. Confira!
 
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