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Blog da editora

Bauman, Wells e Zweig nos livros de janeiro

02 de Fevereiro de 2017

Estranhos à nossa porta, de Zygmunt Bauman

Enquanto escrevo estas palavras, outra tragédia – nascida da indiferença insensível e da cegueira moral – está à espreita, pronta para o ataque. Acumulam-se os sinais de que a opinião pública, em conluio com uma mídia ávida por audiência, está se aproximando de modo gradual, porém inexorável, do ponto de “fadiga da tragédia dos refugiados”. Crianças afogadas, muros apressadamente erguidos, cercas de arame farpado, campos de concentração superlotados e competindo entre si para acrescentar o insulto de tratarem os migrantes como batatas quentes às injúrias do exílio, de escapar por pouco dos perigos enervantes da viagem rumo à segurança – todas essas ofensas morais cada vez são menos notícia e aparecem com menor frequência “no noticiário”. Infelizmente, o destino dos choques é transformar-se na rotina tediosa da normalidade – e o dos pânicos é desgastar-se e desaparecer da vista e das consciências, envoltos no véu do esquecimento.

Zygmunt Bauman em Estranhos à nossa porta


Zygmunt Bauman (1925-2017) foi, sem dúvida, um dos maiores pensadores da atualidade. Sua obra levou milhares de pessoas a pensar a sociedade contemporânea através do conceito de liquidez. Neste livro breve e atual, o autor disseca o pavor provocado pelas migrações e o processo de desumanização dos recém-chegados. Mostra também como políticos têm explorado os temores e ansiedades que se generalizaram, especialmente entre os que já perderam muito – os excluídos e os pobres locais.

 

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Em outubro de 2016, Bauman falou com a Aljazeera sobre a atual questão migratória e sobre os refugiados que procuram abrigo em todo mundo. Assista ao vídeo em inglês. 

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O Homem Invisível, de H. G. Wells

O desconhecido chegou no começo de fevereiro, num dia de inverno, debaixo do frio cortante e da borrasca de neve, a última do ano, pisando o chão coberto de branco, aparentemente vindo da estação ferroviária de Bramblehurst, trazendo na mão, protegida por uma luva grossa, certa valise grande e preta. Estava agasalhado dos pés à cabeça, e a borda de seu 

chapéu de feltro macio cobria seu rosto inteiro, exceto a ponta reluzente do nariz; a neve se amontoava em seus ombros e seu peito, agregando uma crista branca à maleta preta. Ele cambaleou até a pensão Coach and Horses, mais morto que vivo, e largou a valise no chão. 

Sucesso desde a publicação, em 1897, o livro é uma mistura de humor e ficção científica, gênero que H.G. Wells ajudou a estabelecer e no qual se consagrou. Além da aura de suspense presente, a obra é também um belo livro sobre solidão, incompreensão e os laços entre o indivíduo e a humanidade.

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A cura pelo espírito, de Stefan Zweig

Sempre fascinado pelas zonas inexploradas e obscuras do espírito humano, Stefan Zweig traça os perfis de três figuras históricas que estiveram entre as primeiras a se aventurar nesse terreno: Franz Mesmer, que estudou a hipnose e suas possíveis propriedades curativas, Mary Baker Eddy fundadora de Ciência Cristã, seita que pretende curar pelo êxtase e a fé, e Sigmund Freud que criou a psicanálise e, com ela, uma revolução. A edição traz ainda os mais de 30 anos de correspondência entre Zweig e Freud, além de posfácio sobre a relação entre os dois intelectuais escrito por Alberto Dines, biógrafo de Zweig e coordenador da série Stefan Zweig na Zahar.

 

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Representantes de quem?, de Jairo Nicolau

Escrevi Representantes de quem? pensando nas pessoas que querem saber mais sobre as regras eleitorais, os partidos e o comportamento dos deputados no Brasil, mas não estão interessadas nos debates internos da corporação de estudiosos e nem sempre têm acesso aos resultados das pesquisas acadêmicas.

Um livro essencial, que esclarece e colabora para sermos cidadãos mais conscientes e termos uma política mais responsável. O cientista político Jairo Nicolau estuda partidos, eleições e sistemas eleitorais há mais de 20 anos. Esse livro foi escrito para ser lido e entendido por quem não tem conhecimento técnico, mas se espanta e quer compreender melhor diferentes aspectos do quebra-cabeça da representação política no Brasil.

 

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